3 de dez de 2007

Sabores de Aracaju – Parte II

Depois de nos deixar morrendo de vontade de provar doces à base de caju, bolo de macaxeira e o pé-de-moleque do Nordeste, a Adriana continua seu delicioso relato sobre os sabores sergipanos.

Outra iguaria tradicional vendida nos boxes do Mercado Albano Franco é o amendoim cozido, vendido a R$ 1 o litro. Cozido? Sim, cozido!

A incredulidade e a desconfiança foram minhas primeiras reações ao pegar a fava do amendoim e observar que ela era meio mole e úmida. Não sou muito chegada a amendoim, o Fernando sabe, mas fui obrigada a experimentar. Não gostei, o que tinha dentro da casca molenga parece-me um feijão estranho, enrugado, meio cru e salgado demais.
Mas o tal amendoim cozido com casca e tudo faz muito sucesso pela cidade. Por onde se anda, há gente vendendo o referido tira-gosto. Inclusive na praia e nos bares, onde a pessoa compra dos ambulantes que passam pela rua para acompanhar a cerveja gelada que, aliás, é barata para os padrões paulistanos. Uma garrafa de 600 ml sai por no máximo, R$ 3,50, nos restaurantes mais caros.
Entre as barracas que vendem farinhas e castanhas no Albano Franco, como o Box do Fernando, é comum encontrar os ingredientes para preparar o acarajé.


Talvez pela proximidade da capital baiana (cerca de 340 km), o quitute à base de feijão-fradinho é febre em Aracaju. Vende-se o bolinho unitário ou em pequenas porções, inclusive em bares da orla.
Na parte do mercado onde estão localizados os boxes de carnes e pescados, tive uma desagradável surpresa: nada é vendido com refrigeração. Aves, peixes, postas, camarões, arraias, cortes bovinos, caprinos e suínos são expostos diretamente nas bancadas de azulejo, sem nenhum gelo por perto. Tudo à temperatura ambiente, com moscas voejando por cima, inclusive. Soube que a Vigilância Sanitária de lá luta para mudar a situação, mas esbarra em uma série de dificuldades. Não tive tempo nem oportunidade de apurar melhor os fatos, mas acabei ficando mal impressionada.

O gosto por carnes frescas, recém-abatidas, faz sobreviver a venda de animais vivos no mercado, como aves, bodes, cabritos e, obviamente, caranguejos, crustáceo pelo qual o aracajuano tem predileção.

Há inclusive um local em Aracaju chamado de Passarela do Caranguejo, na praia de Atalaia, que concentra diversos bares e restaurantes nos quais o caranguejo é a atração principal.
Nessas horas, vejo que não nasci para ser crítica de gastronomia, uma vez que tenho meus preconceitos e pudores em relação à comida. Passei longe dos caranguejos e pratos à base do crustáceo, como pastéis e bolinhos. Fiquei receosa em passar mal, uma vez que uma das minhas companheiras de viagem teve uma forte reação alérgica ao bichinho. Uma dica que me deram foi experimentar primeiro só uma patinha e dar um tempo. Se a garganta começar a coçar, é sinal de alergia. Se nada acontecer, sinal verde. Na dúvida, não me arrisquei.

Além do caranguejo avermelhado, alguns restaurantes e bares servem um azulado, chamado de guaiamum. Em certos quiosques de praia e restaurantes de Aracaju, é comum ver gaiolas com guaiamuns alimentados à base de ração, para o cliente escolher qual vai para a panela. Ô dó!


Sugestão do chef:
Atravessando a praça ao lado do Mercado Albano Franco, ficam os outros dois mercados que integram o Mercado Central de Aracaju. Interligados entre si, o Thales Ferraz e o Antônio Franco alojam alguns restaurantes populares, lojas de artesanato, lojas de ervas e também empórios (chamados de laticínios), que vendem queijos típicos da região, como o de coalho e o requeijão do Nordeste, além de manteiga, doces, castanhas, cachaças e licores artesanais, como o de jenipapo, o meu preferido.

Mercado Albano Franco: Av. Antônio Cabral, 177, Centro – Aracaju – SE.
Horário de funcionamento: de segunda-feira a sábado, das 6h às 18h; aos domingos, das 6h ao meio-dia.

10 comentários:

  1. Hum...até que tenho o estõmago forte, não costumo passar mal em viagens. Decidi que só não experimento algumas coisas: fezes (sim, no Alasca come-se as de focas), barata (nem precisa de explicação) e feto humano. O resto posso não querer comer novamente, mas experimento...rsrs
    bjo,
    Nina.

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  2. Débora, te prepara pra ver o post que acabamos de publicar. Aviso: extremamente calórido e açucarado!!

    Fernando: não tem cerveja no post, mas tbm vale uma visita, hehehe...

    Fui, vou dormir. Chega por hoje.

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  3. Hum! Amendoim cozido é uma delícia! E os carangueijos, as vezes me dá um dó, mas eles são pra lá de deliciosos. Numa praia, roda de amigos, carangueijo, amendoim, cerveja... nossa o mundo poderia acabar. rsrsrs
    bjs, andrea

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  4. Nossa gostei dessa do amendoin, pra mim é novidade.
    Beijos

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  5. Esse carangueijo na praia com cerveja gelada!!!!

    Assim vc me mata aqui nas Zoropa.

    Ah, tô linkando o blog lá no meu!!

    Abs!

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  6. Nina, minhas restrições para comida são bem maiores que as suas! Não sabia dessa "iguaria" apreciada no Alasca. Eca!

    Diogo, já passei por lá e aprovei o alfajor! Mas o Fernando disse que aguarda um post sobre cerveja. rs

    Andrea, eu também morro de dó dos bichinhos. Alguns eu não consigo comer, morro de dó.

    Nani, esse amendoim também foi novidade pra nós.

    Marcio, muitíssimo obrigada pelo link. A janela laranja já está linkada aqui no noso blog. Acho que a única parte ruim de morar na Europa deve ser a saudade da comida brasileira.

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  7. A questão das carnes e peixes sem refrigeração é cultural. Quando o mercado foi inaugurado havia balcão refrigerado em cada banca, mas os vendedores colocavam os produtos em cima e não dentro porqe os clientes só acreditam que é fresco se estiver exposto, mesmo que o produto tenha sido retirado da câmara figorifica que há no mercado. O Ministério Público e a Vigilância Sanitária travam uma eterna briga com os feirantes. Grande parte da população de Aracaju vem do interior e ainda preserva o costume das feiras com as carnes pingando sangue.
    O amendoim cozido é tipicamente sergipano, os melhores são os secos e duros, que tem um gosto mais próximo ao pinhão, ou os novos que são suaves e consistentes, as pessoas antes de comprar normalmente abrem algumas vagens para saber se está no ponto que gostam.
    Nós diferenciamos a macaxeira ou aimpim da mandioca, esta tem mais acido cianidrico, que é venenoso, enquanto que aquela tem menos, além de as planats terem algumas característicsa que as diferenciam. A macaxeira comemos no café da manhã, e também fazemos bolo, já a mandioca não a comemos diretamente, somente em forma de farinhas e polvilhos. Farinhas sim aqui em Sergipe há grossa, fina, finíssima, mas nunca como as do Norte, muito grossa e amarelada.
    Aquilo branco que aparece na foto ao lado do pé-de-moleque é um beiju molhado.

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  8. Adriana Manfredini8/12/07 10:46

    Carlos, obrigada pelos esclarecimentos. Gostei muito de Aracaju e pretendo voltar outras vezes.

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  9. Tito Garcez13/12/07 21:17

    Parabéns pelos textos sobre a culinária sergipana, Adriana. ;)

    Além do texto estar impecável, vocês descreveu muito bem a culinária local e como o Carlos disse, isso das carnes é cultural, mas são todas frescas. ;)

    Bom, quando retornar à cidade, me avise! :D

    Grande abraço!

    Tito

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  10. Grande amiga glutona Manfreda! Abraços saudosos nossos, daqui, do meio do Cerrado! João, Fernanda e Cicci

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