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18 de abr. de 2010

San Isidro e Tigre

Da estação de trem Retiro, na região central de Buenos Aires, é possível partir com destino a Mitre (passagem: 1,10 peso).

Lá, depois de atravessar uma passarela até a estação Maipu, acontece o embarque no Tren de La Costa, um expresso turístico que vai até o Tigre com outras nove paradas (12 pesos, com direito a reembarque no mesmo trecho).

O trajeto é curto, agradável e repleto de mansões, campos de pólo e belas paisagens.
Perto do horário do almoço, estávamos a uma parada de San Isidro e resolvemos procurar por lá algum lugar para comer.
A pequena San Isidro é charmosa, arborizada e envolvente. Da estação já se vê algumas lojas, restaurantes e até uma unidade da Freddo. Também se avista a imponente torre da catedral.

E a Catedral de San Isidro é incrível! Foi construída em 1898 e o sua arquitetura neogótica realmente impressiona.

Andamos um pouco pelas ruas principais da cidade e logo nossa atenção se voltou para o bistrô La Calle de los Naranjos, situado em uma rua cheia de pés de laranja.

O lugar é pequeno e apresenta cardápio enxuto. O valor do almoço executivo, que inclui sobremesa e água ou refrigerante, varia de acordo com o prato principal. Aceitamos a cortesia da água, mas pedimos também duas taças de vinho (branco e tinto, 7 pesos cada). Fomos servidos também de alguns pães.

A fome era grande e por isso não demoramos muito para escolher o que iríamos comer. Os Langostinos flambeados con tequila, salsa Guacamole y Nachos custaram 42 pesos. Como nossa referência portenha eram os pratos generosos de Buenos Aires, achamos a porção um pouco pequena, mas a comida estava saborosa e os camarões, no ponto certo.

Melhor que eles só as Costillas de Cerdo con cebollas caramelizadas y papas bravas (36 pesos).
A carne de porco derretia de tão macia e as cebolas caramelizadas estavam deliciosas.

Já as sobremesas poderiam ser melhores. O Créme Bulée de Limón não era tão consistente e a Ensalada de Frutas trazia algumas frutas em conserva e por isso ficou muito doce.

No geral, ficamos contentes com a refeição e aproveitamos bastante nosso passeio pela bela San Isidro.

Sugestão do chef: depois do almoço retornamos à estação de trem de San Isidro pois nossa última parada era no município de Tigre para fazer o passeio de barco pelo delta do rio Paraná.

É uma programação interessante, em especial para ver as casas e alguns restaurantes que margeiam o rio. Durante a semana, a última saída do catamarã é às 16h.


La Calle de los Naranjos: 25 de Mayo, 272 – San Isidro – Argentina – Tel. (54 11) 4747-6619.

15 de abr. de 2010

Último jantar em Buenos Aires

A ideia naquela noite de sábado era um jantar repleto de comidas da Patagônia. Não deu certo. O restaurante típico fechou ou então foram os redatores do guia que tínhamos em mãos que erraram feio na indicação do endereço. Era para ser uma decepção, mas não foi bem assim.
A razão? Fomos parar no Punta Brasas, um restaurante dos mais agradáveis no movimentado Palermo Hollywood. Nem sentimos passar os 20 minutos de espera, em parte porque a simpática hostess achou dois bancos livres ao lado do bar, de onde ficamos acompanhando o movimento de frequentadores, o que significa uma interessante mistura de gente de estilo descolado com pessoas de visual mais, digamos, “clássico”. Todos elegantes, cada um a seu modo.

Outro motivo para o tempo passar depressa foi a possibilidade de bebericar duas taças de espumante servidas como cortesia, talvez pelo fato de os administradores da casa sentirem uma certa obrigação de se desculpar por não sermos atendidos de imediato. Impossível não simpatizar com aquele lugar.
Alocados em uma boa mesa num dos cantos do restaurante, começamos a elogiar o patê de fígado de galinha com queijo servido no couvert.

A Débora, ainda sem esquecer o objetivo inicial daquela noite, pediu uma saborosa Trucha Patagonica (39 pesos), coberta por creme de amêndoas e acompanhada de molho de cenoura com gengibre, além de batatas.

Eu escolhi Lomo a la Mostaza de Díjon com Papas a la Crema (38 pesos), prato clássico e costumeiramente bom em qualquer lugar. Mas ainda melhor com carne argentina temperada na medida certa. Simples e sensacional.

Sem conhecer, pedimos o vinho Don Nicanor malbec (70 pesos), forte e encorpado mas apenas razoável.

Fechamos a noite com uma deliciosa Panqueque de Manzana flambada na mesa com rum (18 pesos).

Difícil descrever como gostei daquele nosso último jantar em terras portenhas. Acho que a ocasião sintetizou perfeitamente como nossa viagem foi boa em todos os aspectos, sobretudo no gastronômico.

Sugestão do chef: Às sextas e sábados, a casa funciona em sistema de open bar da uma às quatro da manhã.

Punta Brasas:
Bonpland, 1694 – esquina com Honduras – Palermo Hollywood – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4776-2784

13 de abr. de 2010

Post refrescante

Um dos desejos que levamos na bagagem era o de comprovar a boa fama dos sorvetes argentinos.
Já no primeiro dia, enquanto passeávamos por San Telmo, vimos uma filial da Freddo e resolvemos entrar. Claro que a nossa estréia no universo dos gelados deveria ser regada com o espetacular doce de leite daquela terra. Cada um de nós optou pelo copo de dois sabores (15 pesos). Doce de Leite Clásico, Doce de Leite Tentação – com o sorvete misturado a pedaços do doce bem cremoso –, Creme de Frutos do Bosque e Canela foram nossos pedidos. Todas as opções tinham sabores bem definidos, mas o Doce de Leite Tentação foi, de longe, o que preferimos. Simplesmente maravilhoso.

Em uma outra tarde, passeávamos pelo bairo da Recoleta e paramos na Un'Altra Volta. De ótimo custo-benefício, a casquinha pequena, que serve dois sabores, custa 11 pesos. Dessa vez ficamos interessados em experimentar alguma versão feita com frutas. Gostamos bastante do Sorbet de Manga com Laranja. O de Limão também estava saboroso, mas foi servido em grande quantidade e quase não sobrou espaço na casquinha para o ótimo Doce de Leite com Brownie. Achamos excelente também o Chocolate Tentação, especialmente por estar mais cremoso que os outros.

Fazia muito calor no dia em que visitamos San Isidro e Tigre, duas cidades próximas a Buenos Aires. O jeito (é claro) foi procurar alguma sorveteria para nos refrescarmos. A Gaudí, localizada bem perto da catedral de San Isidro, também serve alguns doces além dos sorvetes artesanais – alvo de nosso interesse. O recepiente menor, que comporta dois sabores, sai por 9 pesos. O de Framboesa estava muito bom. Já o de Chocolate com Amêndoas, apenas razoável.

No Tigre, enquanto esperávamos começar o passeio de catamarã, aproveitamos para tomar mais um “helado” na Antonio Helados & Café, sorveteria pequena com atendimento atencioso. O preço foi bem atrativo: três sabores por 9 pesos. Provamos o de Doce de Leite, o de Kinotos ao Whisky e a versão Ferrero Rocher. Todos eram menos cremosos que os sorvetes de Buenos Aires. Aprovamos o Ferrero Rocher, porém esperávamos mais dos outros dois.

Finalizamos nosso roteiro (realizado em diferentes dias, obviamente) tomando um gelado na Persicco, onde a casquinha com dois sabores é vendida por 15 pesos. A primeira impressão não foi das melhores, pois a quantidade servida foi bem diferente em cada uma das casquinhas. Mas, para nossa alegria, esse foi o único escorregão da Persicco. O sorvete de Doce de Leite Granizado superou o de Doce de Leite Caseiro, também muito bom. Banana e Mousse de Limão foram outras ótimas opções.

Sugestão do chef: não chegamos a uma conclusão exata sobre qual das sorveterias foi a nossa preferida. A Freddo levou uma pequena vantagem, mas a Un'Altra Volta e a Persicco aparecem logo atrás em um empate técnico.

Antonio Helados & Café: Estación Fluvial Tigre, local 8 – Tigre – Argentina – Tel.: (54 11) 4731-6578.
Freddo: Defensa, 901 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11). Outras unidades no site.
Gaudí: Av. del Libertador con 9 de Julio – San Isidro – Argentina – Tel.: (54 11) 4747-4597
Persicco: Salguero con Cabello – Palermo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 0810-333-7377. Mais três unidades.
Un'Altra Volta: Quintana con Ayacucho – Recoleta – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4783-4048.

5 de abr. de 2010

Cores, sabores e saudades de um jantar

Palermo Viejo é um bairro arborizado e que chama a atenção, entre outros atrativos, pelas lojas de roupa e decoração. Numa das nossas caminhadas por lá, passamos em frente ao Lelé de Troya e de cara fomos atraídos pelo agradável ambiente. Mal sabíamos que aquele seria o jantar inesquecível da nossa viagem.
A decoração é criativa. Cada um dos seis ambientes tem estilo e cor diferenciados. Nós gostamos do salão amarelo, que, além de alegre, fica perto da cozinha totalmente aberta, de onde se pode ver o preparo dos pratos. Porém, acabamos ficando em uma dos sofás do elegante espaço vermelho.

O serviço cuidadoso logo nos serviu pães caseiros e um patê de cenoura com mel e gengibre leve e bastante saboroso, combinando bem com o Lagarde Rose Blanc de Noire Reserva 2007 (52 pesos). E só para deixar registrado, vale dizer que dessa vez acertamos na escolha do vinho.

O cardápio, apesar de curto, apresenta criações interessantes – e algumas muito elaboradas –, com opções de massas, carnes, aves, peixes e frutos do mar. Nós fomos extremamente felizes em ambas escolhas e não sabemos dizer se o Crocante de Lomo (48 pesos), um filé mignon especial recheado com mousse de champignon e espinafre envolto em massa filo estava melhor do que o Cordero de Troya (49 pesos), que trazia cordeiro desfiado com pistaches e amêndoas acompanhado de bouquet de tomate com hortelã e batatinhas ao molho de vinho merlot e chocolate.

A carne enrolada na massa filo nos deixa saudosos até hoje. O sabor do molho de vinho merlot com o chocolate é tão diferente e gostoso que não conseguimos explicar a harmonia com o restante do prato. Foram verdadeiras obras de arte comestíveis.
E depois de pratos tão especiais como estes, nada melhor que uma ótima sobremesa. Ou melhor, seis delas, já que nossa escolha foi a overdose de açúcar da Picada Dulce (40 pesos), uma espécie de menu-degustação.

Achamos sem graça o sorvete de creme com pistache e água de rosas e apenas básica a pêra cozida com vinho malbec. A massa filo com crocante de nozes e amêndoas acompanhada de laranjas confitadas estava um pouco doce, mas a textura agradou. Sucesso mesmo fizeram o manjar de chocolate branco e preto, e a tortinha de chocolate branco, todas cobertas com calda de frutas vermelhas. Mas o destaque doce ficou com a mousse de chocolate com um toque de pimenta, cardamono e gengibre, servida com laranja confitada.
E depois de tantos sabores inesquecíveis numa mesma noite, foi difícil acreditar que pagamos apenas R$ 50 por cabeça!

Sugestão do chef: só quando fomos embora vimos que um dos ambientes se trata de um agradável jardim, boa pedida para almoçar ao ar livre ou para uma noite em época de calor.

Lelé de Troya: Costa Rica, 4901 – Palermo Viejo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4832-2726.

6 de mar. de 2010

Massas inesquecíveis na capital das carnes

Nossa ida para Buenos Aires foi um pouco corrida. Saímos direto da festa do casamento e desembarcamos em terras argentinas na madrugada de domingo, dia em que acordamos cedo para passear bastante pela feira de San Telmo. A soma do cansaço acumulado dos meses anteriores com as poucas horas de sono naquela noite, inacreditavelmente, resultou em quase nenhuma fome. Por isso, naquele dia almoçamos apenas umas empanadas.
Porém, conforme caminhávamos pelas ruas do bairro, éramos atraídos por cafeterias e restaurantes simpáticos. E diante dessas opções, só nos restou separar uma data da viagem para um almoço por lá, o que ocorreu em um dia frio e chuvoso.
Pra combinar com a temperatura mais amena, decidimos ir a um restaurante italiano que vimos na Plaza Dorrego. Fica num ponto movimentado mas meio escondido, com uma escadaria entre a rua e o salão principal. Por essa razão, mantém um funcionário disposto a mostrar o cardápio a quem passa por perto. Normalmente fugimos de estabelecimentos que buscam por clientes na calçada, mas a curiosidade nos encorajou a romper o preconceito e espiar o cardápio do Amici Miei, cujas principais opções são combinações interessantes de massas e risotos. Nos empolgamos e resolvemos entrar.

A berinjela curtida no vinho e os pães fresquinhos do couvert foram uma amostra do que estava por vir. Pena que, outra vez, não acertamos na escolha do vinho. O Lurton Malbec (45 pesos) nos pareceu bem jovem, de aroma e sabor pouco encorpados, porém com forte presença de álcool. Mas tudo bem, pois ele ficou em segundo plano quando chegaram os pratos.

O Cappellotti di Fonduta al Tartufo Nero (capeletti de queijo Fontina e trufas negras ao molho escuro de carne com parmesão – 48 pesos) mesclava a delicadeza da textura da massa com o sabor marcante e equilibrado do molho. Uma delícia!

Entretanto, para a nossa surpresa, foi o Tortelli di Erbette Burro Fuso e Parmigiano (Tortelli de ricota e espinafre fresco com manteiga derretida e parmesão – 34 pesos) o grande destaque do almoço. Com recheio farto e bem temperado, o prato é daqueles pra se comer devagar, na tentativa de demorar ao máximo para chegar ao fim.

E aí está a prova de que, muitas vezes, são os lugares mais improváveis que nos revelam as melhores surpresas.
Depois de um almoço tão saboroso, achamos melhor garantir uma sobremesa compatível. No caminho até o restaurante vimos uma unidade da sorveteria Freddo, cujos sorvetes já havíamos provado (e aprovado). E lá fomos nós repetir a dose, mas a história desse relato fica para outro post.

Sugestão do chef: além das boas opções de pratos principais, o Amici Miei serve pizzas individuais também durante o dia.

Amici Miei Ristorante: Plaza Dorrego – Defensa 1072 – San Telmo – Buenos Ares – Argentina. Tel.: (54 11) 4362-5562
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