20 de fev. de 2010

La cena y el baile

Assim como boa parte dos turistas que estão em Buenos Aires pela primeira vez, nos programamos para assistir um show de tango.
O principal atrativo de quase todas as tanguerias que pesquisamos era o pacote com jantar seguido do show. Mas nenhum dos cardápios apresentados foi bom o suficiente para nos fazer desembolsar algo em torno de 100 dólares por cabeça!
Passeando pela feira de San Telmo naquele já citado domingo, caminhamos até o El Viejo Almacén, uma das casas de tango que estavam em nossa pré-seleção, feita ainda no Brasil.

O El Viejo Almacén restaurante funciona em um prédio novo e suas instalações são requintadas e sóbreas. Mas as apresentações acontecem no salão do outro lado da rua, construído em 1969. Achamos o local muito interessante pois tanto a casa quanto a ambientação interna original continuam preservadas.
Fizemos as reservas apenas para o show de tango e fomos procurar um lugar ali por perto para jantar. Nem precisamos andar muito porque no mesmo quarteirão do El Viejo Almacén vimos o Campo Alto, um outro restaurante simpático com cardápio que nos agradou. Na quarta-feira à noite, lá estávamos.

O cardápio tem preços convidativos e traz boas combinações de carnes, aves, peixes e massas. O couvert é modesto, apenas pão, torrada e patê.

Apesar da parrilla estar bem próxima da nossa mesa, preferimos deixar as carnes de lado, pelo menos naquela noite.
O Fernando escolheu Trucha con salsa de Hongos Patagônicos y Torre de verduras grillé (29 pesos). Prato com apresentação grotesca, mas bem saboroso e equilibrado. O molho de cogumelos patagônicos estava muito bom, melhor do que imaginávamos. Os legumes grelhados ficaram crocantes e combinaram bem com o peixe.

Raviolone Mediterrâneo Light con muzzarella, berenjena y albahaca (15 pesos) foi meu pedido. A massa foi cozida um pouco além do necessário, porém isso não chegou a prejudicar a boa proposta do prato. As enormes folhas de manjericão fresco, apesar de exageradas, ajudaram a ressaltar o sabor dos legumes, que não estavam tão bem temperados.

Pulamos a sobremesa pois já estava quase na hora do show de tango começar. Aprovamos o espetáculo moderno que mesclou tango, mariachis e cantores.

Foi uma noite animada, acompanhada de gente de vários cantos do mundo e de muito espumante.

Sugestão do chef: o show de tango sem o jantar custa 53 dólares por pessoa. No valor estão inclusos transfer hotel/show/hotel e duas taças de vinho ou espumante.

Campo Alto: Balcarce, 761 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Tel: (54 11) 4362-3734
El Viejo Almacén: Av. Independencia y Balcarce – San Telmo – Buenos Aires – Argentina.
Tel.: (54 11) 4307-6689

19 de fev. de 2010

Sem muita sorte em Puerto Madero

Depois do nosso almoço frustrado no Siga La Vaca, decidimos voltar a Puerto Madero. Como uma das noites estava reservada para visitar o cassino que funciona dentro de um barco ancorado no porto, achamos que antes deste passeio, jantar em algum restaurante próximo seria uma boa pedida.
Andamos um pouco e logo fomos atraídos pelo estilo clássico do Happening.

Ficar no deck com vista para o porto iluminado certamente seria bastante agradável, mas o vento gelado fez com que preferíssemos o espaçoso e elegante salão interno.

Pães, manteiga, patê e vinagrete foram trazidos à nossa mesa. Para os padrões de Buenos Aires, este foi um couvert caprichado – a maioria dos restaurantes serve apenas pão.

O friozinho daquela noite pedia um vinho. A carta não era muito grande, mas tinha certa variedade. Optamos pelo Alamos de Mendoza Reserve Malbec (73 pesos).

Não foi a melhor escolha. O vinho era um pouco forte, sem equilíbrio e com acidez bem marcante. Aliás, não demos muita sorte com os vinhos nessa viagem.
No enxuto cardápio do Happening, as carnes predominam. Frango e peixes também aparecem, mas em pouquíssimas variações.
Na tentativa de uma refeição mais leve, o Fernando foi de Lenguado en salsa de Atún, Zucchine y Berenjenas (53 pesos).

O peixe estava no ponto certo, mas não empolgou muito. O molho de atum foi o destaque do prato, já que a abobrinha e a beringela estavam sem graça (e sem tempero!).
Eu fiquei com o Ojo de bife en reducción de Malbec, con Panceta ahumada y Papas Dauphine (54 pesos).

O miolo do contra filé é uma carne alta, mas, mesmo assim, foi servida bem macia e cozida ao ponto. O molho de Malbec me agradou, porém, no geral, a combinacão com o bacon deixou o prato pesado e um pouco enjoativo. Não deu para comer tudo.
Em relação à variedade dos pratos principais, a oferta de sobremesas era interessante. Resisti bravamente à panqueca de doce de leite e pedi Crema Catalana (19 pesos). Boa, apenas.

Já o Fernando, apaixonado pelo doce de leite argentino, não podia deixar de provar a Mousse de Dulce de Leche (19 pesos).

Pena que, assim como o peixe, o doce também não empolgou muito. E, acreditem, o sabor do doce de leite quase não foi notado.
Realmente não acertamos nas escolhas em Puerto Madero. E, com tanta falta de sorte, melhor não arriscar nenhuma prata no cassino.

Sugestão do chef: para quem tiver algumas horas (e pesos) para gastar na região, vale conhecer o Cassino Puerto Madero.

A atração funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Na parte interna, conta com um bar que serve bebidas no balcão. O problema é aguentar o forte cheiro de cigarro.

Happening: Alicia Moreau de Justo, 310 – Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4319-8712
Cassino Puerto Madero: Elvira Rawson de Dellepiane, s/nº, Dársena Sur, Puerto de Buenos Aires – Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4636-3100.

7 de fev. de 2010

O clássico Tortoni

Nunca gostei de ler em reportagens de turismo que um local é “parada obrigatória” para quem vai a determinado destino. Acho pretensioso demais pensar que uma opinião pessoal deve ser seguida por leitores de diferentes perfis. É o que acontece com o Café Tortoni, apontado como obrigação de turista em Buenos Aires.

A fama do café, fundado em 1858 e outrora frequentado por gente da competência literária de Jorge Luis Borges e do talento musical de Carlos Gardel, é muito bem aproveitada pelos proprietários. Ninguém consegue sequer dar uma espiadinha sem consumir algo: um funcionário mantém a porta fechada aos olhares curiosos. Fila de espera? Na calçada.

Fomos lá em uma tarde de quarta-feira e conseguimos uma mesa em menos de 10 minutos, algo raro segundo os relatos que ouvimos. O café, pelo qual paguei 7 pesos, é tão fraquinho quanto os outros que provamos na cidade. Já o chocolate com 3 churros (19 pesos), que dividi com a Débora, estava ótimo. O leite vem separado, para ser acrescentado na quantidade desejada. Os churros estavam sequinhos e bem saborosos. Pedimos ainda uma porção de doce de leite para acompanhá-los (3 pesos), um pedido que, na Argentina, não tem como dar errado.

Haviam nos alertado para o atendimento complicado, mas não foi essa a nossa percepção. Do cardápio à conta, tudo chegou rápido à mesa. Não tínhamos obrigação de ir até lá, mas fomos e gostamos.

Sugestão do chef: as conhecidas apresentações de tango no Tortoni acontecem todos os dias. O local também é procurado por quem pretende almoçar ou jantar, mas os preços são pouco convidativos se comparados a locais que servem cardápio semelhante na cidade.


Café Tortoni: Av. de Mayo, 829 – Centro – Buenos Aires – Argentina- Tel.: (54 11) 4342-4328

31 de jan. de 2010

Vale a pena seguir a vaca?

Durante o planejamento da viagem para Buenos Aires, deparamos com muitos comentários – positivos e negativos – sobre a casa de parrilla Siga la Vaca.
Lendo tais críticas, ficamos com vontade de conhecer o local, mas, ao mesmo tempo, não estávamos certos se seria a melhor decisão. Principalmente porque a filial mais conhecida fica em Puerto Madero, região cheia de outros bares e restaurantes estilosos. E talvez fosse melhor chegar lá sem um local pré-definido.

Escolhemos fazer uma caminhada diurna por alguns trechos do porto, e, por fim, fomos matar nossa curiosidade.
De fora já achamos as instalações do Siga la Vaca muito bonitas, assim como a dos demais estabelecimentos na região.

A primeira surpresa foi notar que, em plena quarta-feira, um restaurante daquele tamanho estava bem cheio durante o almoço. Entramos para ver o que atraía tanta gente e logo descobrimos: o preço.

A casa funciona no sistema all inclusive. De segunda a sexta-feira o almoço custa 45 pesos por pessoa, o equivalente a uns 23 reais. Aos finais de semana e feriados, bem como nos jantares, o preço por pessoa é de 69 pesos. Nesse valor estão inclusos buffet de saladas e pratos frios, carnes e seus acompanhamentos e uma sobremesa, além da bebida, que pode ser água, cerveja, refrigerante ou mesmo garrafa de vinho, mas sem direito a escolha do rótulo – uma carta de vinhos está à disposição de quem topar pagar à parte.
Optamos pelo vinho tinto incluso na conta e nos foi servido o Pont L'évêque Malbec 2009, bem inferior, como já prevíamos: tinha gosto de álcool! Certamente uma cerveja teria caído muito melhor.

Vinagrete, chimichuri e batatas fritas foram colocados em nossa mesa enquanto nos servíamos no buffet de saladas, que não empolgou muito.

Diferentemente do rodízio da maior parte das churrascarias brasileiras, as carnes não são trazidas à mesa. As pessoas é que se dirigem até a parrilla e por lá se servem. Em caso de dúvida, os parrilleros explicam de que se trata cada corte – também em português, já que os brasileiros parecem ser os maiores frequentadores do local.

A variedade de carnes é boa. Provamos frango, bife de chorizo, vacio (fraldinha), chorizo (lingüiça), tapa de cuadril (picanha) e morcella. São servidos ainda cortes de carne de porco e diversos miúdos.

De sobremesa, a Mousse de Chocolate estava gostosa, mas o Vulcán de Chocolate com Helado – igual ao petit-gateau – trazia fortes indícios de ser industrializado.

O custo-benefício do local é incontestável, porém, em se tratando de Buenos Aires, as carnes deixam muito a desejar. Podemos compará-las com as servidas nas churrascarias intermediárias paulistanas, e que nem de longe se parecem com qualquer outra carne que provamos na capital argentina. E olha que não foram poucas!

Sugestão do chef: além da unidade em Puerto Madero, o Siga La Vaca conta com mais 5 endereços na Argentina, dois deles são destinados a lanches e comida rápida.

Siga la Vaca: Alicia Moreau de Justo 1714, Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina – Tel: (54 11) 4315-6801 / (54 11) 4315-6802
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