3 de fev. de 2007

A melhor de verdade (local fechado)

Então se a melhor sorveteria da capital paulista não se chama Häagen Dazs, qual é o nome dela? A resposta é: Art Gelatti.

Inaugurada há cerca de dois anos por um casal de argentinos no bairro de Moema, mesmo cercada por concorrentes de respeito como Stupendo, Taperebá e Ofner, conquistou clientes cativos na região.
Era mesmo de se esperar, já que o estabelecimento alterna 48 variedades de sorvetes artesanais consistentes e de sabor refinado. Destaque para as versões com doce de leite argentino, iguaria com fama justificada. Algumas delas são: doce de leite com nozes, tradicional e doce de leite com chocolate.

Por falar em chocolate, o sorvete em que o doce aparece misturado à Nutella é um dos melhores. Não faltam também opções mais refrescantes como menta branca, mousse de maracujá, kinotos ao whisky, piña colada e mousse de framboesa, que podem ser apreciados em porções generosas de dois sabores pelo valor de R$ 6.

Decorada com releituras bem-humoradas de pinturas famosas – entre as quais a Monalisa segurando um copo de sorvete –, a casa oferece ainda panquecas doces, churros e drinks com sorvete. Por lá também é possível adquirir os famosos alfajores Itati, sobre os quais dedicaremos espaço em breve.

Art Gelatti: R. Gaivota, 523 – Moema – São Paulo – SP — Telefone: (11) 5051-2907 (Local fehado)

A queridinha dos críticos

É só surgir uma eleição para os melhores de São Paulo que a Häagen-Dazs vai lá e ganha na categoria sorveteria. No guia da Veja, só pra exemplificar, ganhou nada menos que nos últimos seis anos. Para tirar a história a limpo, fomos numa tarde típica de verão até a principal unidade da rede americana na cidade, situada na rua Oscar Freire.

De frente para o balcão tivemos a nítida sensação de que o melhor a fazer era escolher rápido para não corrermos o risco de sermos atropelados pela fila que não parava de aumentar. Saímos com chocolate belga e sorbet de amora. Ambos nos pareceram doces demais (e olha que para a Débora dizer que algo está doce precisa ter muito, mais muito açúcar mesmo!), fato estranho pois qualquer belga costuma dizer que um bom chocolate é composto por alta concentração de cacau e pouco açúcar.
Mais refrescante, o sorbet combinou melhor com o forte calor. O tempo quente deve ter alterado a consistência dos sorvetes, exageradamente cremosos. Outra decepção, talvez a maior delas, tivemos ao ver a quantidade servida, irrisória pelo preço cobrado.
Quanto ao público freqüentador, o perfil é o mesmo que se vê nas famosas grifes de roupas vizinhas à sorveteria: mulheres da elite paulistana desfilando as tendências do mundo fashion, geralmente acompanhadas por homens que não dispensam uma camisa social mesmo em fins de semana de calor escaldante.
Longe de ser desprezível, porém mais longe ainda de ter o melhor sorvete de São Paulo.

Häagen-Dazs: R. Oscar Freire, 900 – Jardins – São Paulo – SP Telefone: (11) 3062-1099 – Site: www.haagendazs.com.br

Derrota do Vasco

Ainda sobre o episódio Baden Baden, li que três dos quatro fundadores haviam deixado o negócio no ano passado. Só ficou um deles, sobrecarregado com os encargos.
Em função de seu sobrenome (Vasconcelos), é conhecido como Vasco, nome de time de futebol (não dos meus preferidos, apesar de alvinegro). E é justamente numa analogia com o futebol que tento imaginar o sentimento dele nesse momento.
Digo isso por que precisou de ousadia para produzir cervejas gourmet em um mercado no qual grande parte dos consumidores escolhe o mais barato líquido que lembre cerveja para encher a cara no fim de semana. Mesmo assim, produziu a primeira versão de alta fermentação (ale) de um país em que a cada esquina se ouve que “a melhor cerveja que existe é a gelada”.
Começou a ver seu empreendimento crescer, virar sinônimo de qualidade. Chegava a hora de colher os frutos, de celebrar o sucesso. Eis que... bom, o fim da história todo mundo sabe.
É como se no último minuto da decisão do campeonato o craque recebesse a bola no campo de defesa, sob forte marcação. Com um drible de corpo, surpreende o marcador e sai com a bola dominada, rompendo a linha divisória do gramado.
Percebe outro defensor vindo em sua direção disposto a parar a jogada a qualquer custo. Com um toque sutil coloca a bola entre as pernas do zagueiro e segue em direção ao gol. Mais um “tapa” na pelota e dois outros adversários já ficaram para trás.
Sem se intimidar com a sola da chuteira do último zagueiro apontada para sua canela, levanta a bola e deixa o adversário caído depois de um chapéu desconcertante.
O estádio inteiro está de pé. Em cada cidade ou vilarejo onde há uma televisão ligada as pessoas estão em silêncio, com os olhos vidrados à frente da tela, esperando apenas a definição da jogada. Só falta o goleiro, nada que um toque sutil não resolva. A bola vai entrando em câmera lenta. Enquanto corre em direção à torcida, de soslaio dá uma última olhada pra ter certeza de que a redonda foi mesmo descansar no fundo das redes. É justamente nessa hora que, atônito, observa a bola triscar a trave e escorregar em direção à linha de fundo.
Cabisbaixo, respira fundo e é consolado por um dos companheiros de time. Levanta a cabeça, olha o placar eletrônico e pensa: “Tudo bem. Está 2 X 0 pra nós, não vai fazer falta. Estamos no lucro”.
Já no vestiário, debaixo do chuveiro, não consegue mais disfarçar. “Perdi a chance de fazer história”.

2 de fev. de 2007

Leve, pura e artesanal

Ir a Campos do Jordão e não sentar em uma das mesas do Baden Baden para bebericar uma das produções da cervejaria homônima, instalada na cidade, é o tipo da coisa que não se deve fazer.

Na verdade existem duas unidades da choperia. Elas ficam frente a frente, separadas apenas pelo corredor de um pequeno boulevard. Não é difícil perceber que o segundo espaço surgiu por causa da fama que o local foi conquistando ao longo dos anos.

Os guias costumam omitir que há também uma lojinha destinada a quem quer levar pra casa cervejas avulsas ou em caixas de presente, além de copos estilizados.
No cardápio prevalecem as especialidades alemãs, mas como nosso interesse por lá era mesmo pelas bebidas, pedimos logo dois chopes: cristal (pilsen) e weiss (de trigo), ambos com preço na faixa dos R$ 7. Claro que ambos satisfazem, mas não conseguimos disfarçar que as versões engarrafadas, que conhecemos de longa data, parecem superiores. Para nossa surpresa, o chope pilsen (à direita na foto) chegou à mesa no mesmo copo característico das cervejas de trigo.

Antes de pegar a estrada de volta para São Paulo, fazemos outro brinde e lembramos que a Baden Baden está mais do que desculpada por eventuais tropeços. Isso pelo importante papel que desempenha entre as microcervejarias brasileiras, sendo, inclusive, considerada a primeira cerveja “gourmet” do País.
Toda a produção obedece à Lei de Pureza da Baviera (Reinheitsgebot) — criada em 1516 —, segundo a qual a cerveja só pode ter os seguintes ingredientes: cevada, lúpulo e água pura, além do fermento, incluído posteriormente.
Por falar em qualidade, os mestres cervejeiros costumam dizer que uma ótima água é fundamental para produzir boas cervejas. E se a água é alma da bebida, dá pra dizer que a alma da Baden Baden é pura, suave e cristalina. Isso fica claro, principalmente, ao provar a Cristal (pilsen). É tão leve que permite sentir o gosto da água mineral captada nas montanhas de Campos do Jordão. Toda essa leveza faz a Baden Baden Cristal arrancar elogios das mulheres – a Débora que o diga.

A cervejaria disponibiliza o ano todo diversas versões, entre as quais Red Ale, Golden, Stout e Bock além de edições sazonais. Fora a choperia, quem vai a Campos do Jordão pode visitar a fábrica e conhecer de perto o processo de produção.

Baden Baden (choperia): Rua Djalma Forjaz, 93 – Capivari – Campos do Jordão – Tel: (12) 3663 3610
Related Posts with Thumbnails