28 de nov de 2007

Os copos que mudaram o mundo

História do mundo em seis copos, livro escrito pelo editor de tecnologia da revista The Economist, Tom Standage, foi lançado em 2005 e retrata a relação de seis bebidas com o período em que foram criadas – ou no qual ganharam mais espaço.

A primeira parte fala da descoberta da cerveja e de sua influência na Mesopotâmia e no Egito. Para os bebedores daquele período, a capacidade de alterar a consciência, e os segredos do processo de fermentação – que transformava mingau em cerveja –, tornavam a bebida um presente dos deuses. Difícil contestar.
O capítulo seguinte aborda a presença do vinho na Grécia e em Roma. Curioso ler que era disseminada pelos gregos a prática de misturar água ao vinho – sempre com maior quantidade de água. Segundo acreditavam, só mesmo Dionísio poderia beber vinho puro sem correr riscos.
Os destilados são o próximo tema do livro. O rum é apresentado como a primeira bebida globalizada: produzido em Barbados por escravos submissos aos ingleses, a partir de cana-de-açúcar e equipamentos do Brasil (levados originalmente para produzir açúcar), e cujo consumo se espalhou por todo o Caribe e depois por outras partes do mundo.
No capítulo dedicado ao café, o autor relata a importância dos cafés públicos como verdadeiras redes de comunicação na Europa do século XVII (sobretudo em Londres). Eram esses os locais procurados por quem desejava saber das novidades políticas, comerciais e culturais.
Ao começar a leitura sobre o chá, é possível entender o porquê da bebida ser, até hoje, associada aos ingleses. Uma curiosidade interessante é a informação que em 1917 o dono de um café público londrino decidiu abrir uma loja ao lado para vender chá, no intuito de atrair as mulheres – proibidas de entrar nos cafés. Seu nome era Thomas Twining, o mesmo que 11 anos antes havia criado a tradicional marca inglesa Twinings.
O último capítulo é dedicado à bebida que menos me atrai entre as retratadas: a Coca-Cola. Mas minha aversão ao refrigerante (compartilhada pela Débora) não foi desculpa para deixar de ler a parte final da publicação. Sobre a invenção do produto, o autor conta que a versão oficial diz que o farmacêutico John Pemberton era um cara curioso, que certo dia misturou alguns ingredientes, adicionou água com gás e, dessa forma, criou a famosa bebida.
Tom Standage esclarece, no entanto, que Pemberton era um produtor de remédios falsos, divulgados por meio de anúncios que prometiam a cura para os mais diversos males. E não foi por acaso que ele chegou até a fórmula da Coca-Cola, e sim após meses de estudo. O detalhamento dessa história, e também da disputa que se seguiu em relação aos direitos de comercialização da nova bebida, tornam o capítulo final o mais interessante do livro.

História do mundo em seis copos: (Jorge Zahar, 234 pgs., R$ 38) – http://www.zahar.com.br/

26 de nov de 2007

Cerveja com mandioca e mel

A microcervejaria Colorado surgiu há 12 anos em Ribeirão Preto elaborando ótimos chopps artesanais. Recentemente, passou a produzir cervejas em garrafa e, desde então, queríamos saber se elas tinham mantido a qualidade. E a resposta é sim.
Finalmente conseguimos prová-las no Bar Anhanguera, do qual já falamos aqui. O estabelecimento ampliou sua boa carta de cervejas nacionais e parece ter superado as inconstâncias nos dias de maior movimento.
Começamos com a pilsen Colorado Cauim (R$ 11), com 4,5% de teor alcoólico, feita com água do aqüífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce do mundo.

De cara nos surpreendemos com o sistema de abertura da garrafa: é só puxar a alça para cima que a tampa sai na mão. Outro detalhe é que além de maltes e lúpulos importados – e de uma exclusiva levedura de baixa fermentação –, a elaboração da bebida inclui a adição de mandioca (isso mesmo!). O resultado é uma cerveja muito leve e refrescante, que lembra bastante a Baden Baden Cristal (da qual a Débora é fã), porém com sabor levemente adocicado.
Combinou muito bem com o saboroso sanduíche Arcabuz, uma baguete recheada de hambúrguer de picanha, maionese especial, rúcula, tomate seco e queijo derretido (R$ 14,50).

Na seqüência, pedimos a Colorado Appia (R$ 13), uma weiss (cerveja de trigo) com 5,5% de álcool.

Nessa versão, o ingrediente inusitado é o mel, cujo gosto é bem pronunciado. Novamente temos uma cerveja bem leve, adocicada e com espuma bem menor que outras de trigo. Boa, mas não como a pilsen.
Junto dela, provamos novamente a sobremesa São Francisco: quindim com sorvete de tapioca e salada de frutas (R$ 10,30). A combinação, que teve altos e baixos em outras visitas, voltou a agradar nossos paladares.

No fim da noite, voltei para casa com duas das mais bonitas garrafas de cerveja da minha modesta coleção.

Sugestão do chef: Estranhou a adição de mandioca e mel? Pois saiba que a outra versão engarrafada que a Colorado produz, a India Pale Ale, inclui um ingrediente ainda mais inusitado: rapadura. Ainda não experimentamos, mas a julgar pelo chopp Colorado do mesmo estilo, deve ser deliciosa.

Cervejaria Colorado: Rua Minas, 394 – Ribeirão Preto – SP – Tel.: (16) 3941-4949
Bar Anhanguera: Rua Tito, 25 – Vila Romana – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3368-2771

23 de nov de 2007

Uma tarde no bairro japonês

Estávamos apenas aguardando o Tony e a Cecília retornarem de viagem para nos conhecermos pessoalmente. O Tony é o autor do Blog de São Paulo e do De viaje a Brasil, ambos escritos em espanhol e destinados aos turistas. O primeiro é repleto de dicas e curiosidades sobre a cidade de São Paulo. Já o segundo traz informações sobre todo o Brasil. Recentemente ele criou um novo blog, com detalhes da viagem que fez com a Cecília pela Patagônia. Imperdível pela preciosidade do conteúdo e pelas lindas fotos dignas de cartão-postal.
Antes da partida deles para as terras argentinas, combinamos que nosso primeiro encontro não-virtual aconteceria em algum restaurante da Liberdade, tradicional bairro oriental do centro de São Paulo.

Eu gosto demais da culinária oriental – especialmente da japonesa – mesmo tendo conhecimento limitado sobre o assunto. O Fernando é novato nessa área, até gosta um pouco de comida chinesa, mas ainda não morre de amores. Por isso fiquei algum tempo sem freqüentar a Liberdade. Não achava graça comprar produtos orientais nas mercearias e lojinhas de presentes, sem me esbaldar nos restaurantes típicos.
Mas depois do agradável encontro com nossos novos amigos, parece que essa situação vai mudar. O Fernando voltou animado e quer visitar outro restaurante oriental em breve (tá certo que boa parte dessa animação é culpa da simpatia do Tony e da Cecília).
Quem chega à Liberdade percebe que a cultura japonesa não é a única que predomina no bairro. Influências chinesas e coreanas também se mostram presentes. E na culinária não é diferente.
Um pouco disso pode ser encontrado na Churrascaria Galvão Bueno, restaurante sugerido pelo Tony para o nosso almoço.

Com ambiente simples e bastante informal, a casa oferece exclusivamente o sistema de bufê, com especialidades das cozinhas japonesa, chinesa e coreana (R$ 24 por pessoa).

Há opções de pratos quentes e frios, desde os comuns para os brasileiros até os mais inusitados, como essa gelatina de soja (no recipiente do meio).

Legumes e vegetais apareciam na maioria dos pratos frios, com destaque para as versões condimentadas e em conserva.



A variedade de molhos e temperos não se limitava ao tradicional molho shoyu, acompanhamento obrigatório para o sashimi, que, por sinal, estava fresquíssimo e muito saboroso.


Até o Fernando, que não dá muita bola pra peixe cru, concordou.
E com os sushis não foi diferente, todos super caprichados.


O de salmão, kani e nabo era o mais interessante. Fatias de pepino e broto de nabo deixaram a combinação mais atraente e bonita.

Partimos para os pratos quentes começando pelo guioza, popular pastel chinês recheado de carne.

Queria ter provado o yakimeshi (arroz com ovos, legumes e cebolinha) e o tofu (queijo de soja) refogado em molho picante.

Mas esqueci e fui direto para o carro-chefe do restaurante: o bulgogui, churrasco coreano em que finas fatias cruas de carne bovina e suína recebem tempero especial e são grelhadas pelo próprio cliente nas chapas instaladas nas mesas.


A cena é curiosa, e um tanto quanto esfumaçada, mas o resultado foi dos melhores: carne macia e com ótimo sabor.

E para terminar o almoço, uma leve e aromática sopa de missô (pasta de soja).

Depois dela, deixamos o restaurante em direção à padaria mais badalada da região, mas no caminho paramos em uma mercearia para tomar algum dos sorvetes coreanos que invadiram o bairro e são o sucesso do momento por lá.


O sabor melão (R$ 3,20) é o mais gostoso, se bem que esse outro que parece uma fatia de melancia (R$ 3,90) não fica atrás.

E se achou diferente, saiba que há versões bem exóticas, como a de doce de feijão! Mas o que experimentamos de mais exótico mesmo foi o suco Pobá (R$ 7) da Bakery Itiriki, a tal padaria que citei há pouco (e que não permite fotos internas).

O gosto não é estranho como o nome. O que pedi se trata de um suco de frutas cítricas misturado com pedaços de gelatina e bolotas de sagu. Mais divertido que saboroso.
A Itiriki funciona no sistema self-service. Basta pegar uma bandeja e se servir das delícias que ficam expostas em uma gôndola no centro do salão. Depois é só passar no caixa e acertar a conta. Quem quiser algum doce ou salgado que necessite de refrigeração deve ir até o balcão e fazer o pedido.
A padaria costuma estar sempre cheia, e não é pra menos, pois as guloseimas são bem feitas.
Eu fiquei com a delicada mousse de matchá (R$ 5,90) – chá verde em pó –, de sabor bem suave.


O Fernando preferiu o muffin de chocolate (R$ 3,90).

Pelos mesmos R$ 3,90, o Tony escolheu sonho e a Cecília, donut de chocolate.


A essa altura já estava quase anoitecendo. Antes de nos despedirmos, ganhamos outros dois novos amigos.

Sugestão do chef: Fique atento ao horário de funcionamento da Churrascaria Galvão Bueno. De segunda a sexta das 12h às 14h30 e das 18h às 22h. Aos sábados, domingos e feriados das 12h às 15h e das 18h às 22h.


Churrascaria Galvão Bueno: Rua Galvão Bueno, 451, Liberdade – São Paulo – SP – Tel.: 3277 1970
Bakery Itiriki: Rua dos Estudantes, 24, Liberdade – São Paulo – SP. – Tel.: 3277-4939

20 de nov de 2007

Boas massas, ótimo ambiente

Nas tardes e noites de calor, o movimento é intenso no restaurante Giardino. Fácil entender, pois o jardim que dá nome ao lugar é, na verdade, um antigo quintal que inclui até uma bela figueira. Local dos mais agradáveis.


Mas o ambiente é só um dos pontos altos. O serviço é muito atencioso e as massas, feitas com capricho.
O pedido da Débora foi o melhor: ravióli de cordeiro (R$ 23,80).

Feito com massa branca recheada de cordeiro e rúcula, com molho ao sugo misturado ao vinho Marsala e hortelã, é um prato leve, com recheio farto e um molho com sabor na medida.
Eu fui de lasanha acrobaleno (R$ 23,80), preparada com massa artesanal de espinafre e recheada de abobrinha, tomate, brócolis, berinjela e champignon, com molho branco e gratinada ao parmesão.

Também muito boa, porém mais pesada, apesar de vegetariana.
O calor era forte – e resultou em uma tempestade minutos depois –, por isso escolhemos bebidas refrescantes. A Débora ficou com um suco de tangerina feito na hora (R$ 3,90), enquanto eu optei por uma ótima caipirinha de morango e kiwi, preparada com saquê (R$ 8,60).

Esperamos a chuva diminuir experimentando a sobremesa Ilha Bela, um sorvete de creme com purê de manga, maracujá e avelã caramelizada (R$ 9,20). Aprovada na aparência e no sabor.


Sugestão do chef: além das massas, o cardápio inclui carnes e peixes. Opção também interessante são as batatas rösti. Elas são servidas com salada e os preços não passam dos R$ 20.

Giardino: Av. Lavandisca, 437 (esquina com R. Gaivota) – Moema – São Paulo – SP – Tel.: (11) 5051-0918

18 de nov de 2007

100% natural

Quando lemos em alguma revista sobre o Pé no Parque, pensamos que se tratava de mais uma casa especializada em sucos e açaí. Resolvemos ir até lá num final de tarde qualquer, logo que o calor voltou a dar as caras.

O local é iluminado, aberto e extremamente agradável. O público é variado e reúne desde grupos de jovens até famílias inteiras.


Ao recebermos o cardápio, ficamos surpresos com a quantidade de itens. Esperávamos alguns sucos, cremes de fruta na tigela e sanduíches, mas encontramos um restaurante. E melhor, com conceito de cozinha saudável.
Os ingredientes são frescos e as verduras e legumes orgânicos têm preferência. Também é possível pedir carne e peixe orgânico. Para preparar os sucos, vitaminas, shakes, smoothies e cremes são usadas frutas in natura. Até as frituras são feitas com óleo de palma e isentas de gordura trans.
Nossa primeira visita foi rápida, só pedimos suco de açaí (R$ 3,90) e a exótica combinação de água de coco com suco de uva verde (R$ 4,50).


Mas voltamos na semana seguinte para almoçar.
Enquanto escolhíamos o que comer, repetimos a dose do suco de açaí e da água de coco, mas dessa vez substituímos o suco de uva verde pelo de abacaxi. Ficou mais refrescante. Pedimos também palitos de legumes (R$ 6,90) para acalmar a fome.


Como prato principal, o Fernando optou pelo filé de linguado ao molho de alcaparras e champignon Paris acompanhado de farofa de quinua e purê de mandioquinha (R$ 21,90).


Eu fiquei com filé de linguado ao creme de espinafre gratinado com parmesão. Para acompanhar, shitake na manteiga e salada orgânica (R$ 20,90).


Os pratos são bem servidos e o sabor é de comida fresquinha.
Para sobremesa experimentamos o creme de maracujá na fruta (R$ 8,10) e a banana crispy – creme de banana com açaí e flocos de arroz (R$ 8,20 o pequeno).



Em outras visitas, provamos o suco de cupuaçu com laranja (R$ 4,10), o smoothie Amazon (R$ 5,90) – que leva suco de açaí, banana e sorvete de morango – e a melhor tigela de açaí que conhecemos até o momento (500 ml por R$ 8).



O Pé no Parque foi, sem dúvida, nossa grande descoberta deste ano.

Sugestão do chef:o Pé no Parque fica a 400m do Parque do Ibirapuera, daí o nome e a temática do lugar. Por esse motivo, existe um mural dedicado aos eventos e festividades que rolam no Ibirapuera, bem como um estacionamento para bikes, já que é comum ciclistas aparecerem por lá. Dá até pra calibrar o pneu delas.

Pé no parque: Rua Inhambu, 240 (esquina com a Av. Helio Pellegrino) – Telefone: 5051-3376 – Moema – São Paulo – SP.

13 de nov de 2007

A coisa tá russa

Noite de sábado. Marcamos de ir a um restaurante com a Nina e o Marcel, que fazem um dos nossos blogs preferidos, o Gourmandise.
Restaurante russo chamado Café Pittoresque. Nenhum de nós conhecia. Pequeno, iluminado e... praticamente vazio. Uma vez ouvi de um taxista que era pra desconfiar dos restaurantes vazios. Só lembrei disso depois.

Enquanto esperávamos, a Débora fotografou a rosa vermelha que decorava a mesa. Eu tentava me entender com as letras pequenas e confusas do cardápio.

Os novos amigos chegaram, nos apresentamos, conversamos um pouco e fomos tentar entender as opções de menu-degustação. Quando quatro pessoas ficam confusas, deve ser sinal que o cardápio não está claro.
Finalmente pedimos as entradas. A espera foi regada a boa conversa e muita risada. Até que fomos servidos. E os nossos problemas começaram...

Do Zabuski Frio (R$ 25), gostamos dos cogumelos marinados e dos pedacinhos de beterraba temperada. Bons, nada mais. As ovas de capelim e o salmão marinado eram dispensáveis. Tinha também um creme maturado, com gosto de... nada, não tinha gosto de nada. Vinha acompanhado de um pão específico, o garçom até ajeitou do lado.

Mas pra nós era o mesmo pão que acompanhou o Zabuski Quente (R$ 25).
Por falar nele, estava melhor. Gostamos do pastel de ovos mexidos chamado Goutap, das almôndegas (Tefteli) e, principalmente, do folheado de berinjela. Os cogumelos gratinados não empolgaram. O mesmo vale para o Piroshki, uma espécie de pastel assado.

A expectativa, então, ficou por conta dos pratos principais. Para a Nina, perdiz assada com molho de mirtillo (R$ 25).

Para o Marcel, (apenas alguns) cubos de cordeiro com (muito) arroz e especiarias (R$ 26).

E para saber o que eles acharam, é só entrar aqui.
A Débora pediu um filet strogonoff original (R$ 28), no intuito de provar a versão autêntica do prato russo. Saiu dizendo que conhece versões brazucas muito, muito melhores.

No começo gostei da minha truta cozida em vinho branco e recheada com arroz de ameixas e nozes (R$ 25).

Depois comecei a achar condimentada demais, ou com excesso de vinho, não sei dizer. Sem falar que não precisava tanto arroz (tinha no recheio e também como guarnição).
Fomos persistentes e encaramos uma sobremesa. Escolhemos blinis recheadas com mel e geléia. Nunca tínhamos provado. E continuamos sem provar, já que a massa servida era idêntica a um crepe.

Só faltou o recheio de Nutella, como bem lembrou a Débora.
Valeu pela companhia e o bom-humor da Nina e do Marcel. Rimos bastante – motivo não faltou – e aprendemos um pouco mais de gastronomia com quem realmente entende.
E valeu também pelo delicioso brownie com doce de leite que a Nina preparou especialmente para nós.


De resto, podemos dizer que finalmente entendemos o sentido daquela antiga expressão “a coisa tá russa”.

Sugestão do chef: Hummm... posso pensar um pouco mais?

Café Pittoresque: R. Fradique Coutinho, 832 – Vila Madalena – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3097-0939

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