27 de mai de 2007

A comfort food do Seu Luigi

E se te perguntassem o que uma cantina italiana deve ter para ser perfeita, qual seria sua resposta? Massas e molhos caseiros, elaborados cuidadosamente? Ambiente aconchegante? Algo diferenciado no cardápio? Um dono que entenda muito de cozinha italiana e que adore bater papo com os clientes?
Se você respondeu sim para as quatro alternativas, precisa ir até a Granja Julieta para conhecer a cantina Arancini.

O nome foi inspirado no arancino (no plural, arancini), delicioso bolinho sicilliano feito de risoto e recheado com mussarela e molho à bolonhesa.

Segundo o Seu Luigi, proprietário da cantina, na Sicíllia os únicos estabelecimentos comerciais que não vendem arancino são as farmácias. Em São Paulo só uma outra cantina além do Seu Luigi se arrisca a fazer.
Seu Luigi que, por sinal, é um caso á parte. Cultiva em seu sítio as verduras e legumes sem agrotóxicos usados na composição dos pratos. Até pouco tempo comandava a cozinha, recentemente passou o bastão para sua filha, mas continua supervisionando tudo. Cuida do atendimento no período da noite, sempre disposto a mostrar sua paixão pela cozinha italiana aos clientes interessados em conhecer um pouco da história de cada sabor experimentado. Na conversa surgirão até dicas de roteiros turísticos indispensáveis em uma visita à Itália.
Você sairá de lá sabendo, por exemplo, a que regiões da Bota uma longa viagem de trem é muito mais interessante que a praticidade de um rápido vôo. O velho Luigi é um desses personagens que fazem a gente gostar de verdade de conhecer novos restaurantes e de escrever sobre eles.
E a melhor forma de provar os vários sabores de sua cantina é optar pelo Festival Italiano, que custa R$ 26,90 durante a semana e R$ 28,90 aos sábados, domingos e feriados. O espetáculo começa com sardela, berinjela e abobrinha temperadas.

Nesse momento, se você estiver lá pela primeira vez irá ouvir o promissor aviso do Seu Luigi: “manere nas entradas porque a cantina não é francesa, é italiana”.
A segunda atração pode ser uma salada ou, nos dias frios, uma sopa como o fidelini in brodo, com gostinho de casa da avó.

Quando já tiver esquecido do frio, será servido dos obrigatórios arancini sicillianos. Não ouse recusar!

A esta altura você já estará no final da primeira taça do vinho artesanal que um amigo do Luigi elabora em Bragança Paulista para consumo próprio (e por camaradagem vende só para a cantina). Eis que chega o prato principal: duas massas e uma carne que podem ser repetidas à vontade.

Tivemos a sorte de provar um bom canelone de ricota e a dádiva de poder experimentar o sensacional fettucine verdi al pesto genovese e a levíssima polpetta a parmigiana. Os dois últimos são seríssimos candidatos a melhor massa e melhor polpetta já degustadas pelos escribas desta página.
Se for perfeccionista ao extremo, encerre com a crostata de frutas da época com sorvete de creme.

E se faltar coragem para voltar à vida real e enfrentar o frio lá de fora, se aqueça com o cálice de limoncello caseiro incluso no festival.

Sugestão do chef: A melhor sugestão é: vá ao restaurante. Mas como gostamos de usar este espaço para destacar algo que não dissemos no texto, fique sabendo que é possível levar pra casa massas, molhos, geléias e sobremesas de produção artesanal. Outro ponto importante é que Seu Luigi também traz do pomar de seu sítio as frutas que compõem os sucos servidos na casa. Onde mais é possível beber sucos orgânicos de laranja champagne ou de limão sicilliano com hortelã?

Arancini: Av. João Carlos da Silva Borges, 1211 – Granja Julieta – São Paulo – SP – tel.: (11) 5641-9774 – http://www.arancini.com.br/

21 de mai de 2007

Jóias de açúcar

Quem mora em grandes capitais como São Paulo, acaba não tendo muitas alternativas para fugir do corre-corre e da agitação dos centros urbanos, já que nem sempre é possível viajar ou simplesmente ausentar-se de determinados afazeres.
Mas em meio a essa correria existem alguns lugares onde conseguimos esquecer de tudo isso, mesmo que seja só por algumas horas.
É essa agradável sensação de tranqüilidade que sentimos quando estamos no Pain et Chocolat, um café-confeitaria com ares e requinte de uma pâtisserie francesa, instalado em uma bela casa na esquina de uma rua fechada.

O ambiente é muito aconchegante. Nos dias de sol dá pra escutar os passarinhos cantando nas árvores da viela e avistar o gato de um dos vizinhos deitado na calçada, bem preguiçoso enquanto toma seu banho.

E com tanto sossego não é à toa que as guloseimas são cuidadosamente preparadas, em especial os doces, já que boa parte deles é produzida manualmente, detalhe por detalhe. A vitrine dá água na boca!


Como já tínhamos almoçado, passamos por lá apenas para comer uma sobremesa. Optamos pela mousse de champagne com frutas vermelhas (R$ 6,80) e o Duge, feito à base de mousse de brigadeiro (R$ 6,50).

O Fernando ainda pediu o coffee rum (expresso com rum, leite e raspas de chocolate). Tudo delicioso, como sempre.

A casa também serve salgados, pães, chás Twining, shakes, sucos, smothies, quiches, saladas, sopas e vinhos. Boa parte do que é preparado no local pode ser consumido à vontade no excelente buffet de café da manhã que acontece aos sábados, domingos e feriados, das 8:30 às 14:00 (R4 17,90 por pessoa).
Infelizmente não conseguimos uma foto da farta mesa do café. Quando chegamos, ela já tinha sido desfeita. Mas o blog promete voltar em breve e dedicar um post exclusivo ao brunch do Pain et Chocolat!

Sugestão do chef: Experimente o café expresso da Fazenda Pessegueiro, em nossa opinião, um dos melhores cafés gourmet.

Pain et Chocolat: Rua Canário, 1301 – Moema. Tel.: 5094–0550

16 de mai de 2007

Churrasco, não. Parrilla

Pra continuar a temporada argentina, iniciada pela Débora no post abaixo, nada melhor do que falar da especialidade deles: as carnes. Especialidade que, aliás, invadiu de vez a cidade. São tantos restaurantes especializados em parrilla que outro dia nos perdemos em Moema (que é um ótimo lugar para se perder) e descobrimos sem querer mais dois. Ambos entraram para a lista, é claro.
O restaurante da foto não fica em Moema, mas também nos perdemos umas duas vezes antes de achar a ruazinha estreita, travessa da avenida Santo Amaro. E o pior é que já tínhamos ido lá! Senso de direção à parte, dá pra dizer que o Bárbaro Restaurante é um achado (que trocadilho mais ridículo, hein ??).

Depois do nariz de cera que se estendeu por dois parágrafos e da frustrada tentativa de ser engraçado, só me resta mesmo o recurso da objetividade. O couvert custa R$ 8,90 e inclui pão, torrada, manteiga, vinagrete, berinjela em conserva e um excelente chimichurri.

Para abrir o apetite tem também empanadas (R$ 3,50) e algumas enormes e belíssimas saladas. Todos os cortes de carne são argentinos. Nossa sugestão é o biscuit de ojo (R$ 32 meia-porção, R$ 64 a inteira). Trata-se do miolo do ojo, que, por sua vez, é o miolo do contra-filé (acho que é isso). Por aí dá pra imaginar quão macia e tenra é a carne. Para acompanhar, é simplesmente obrigatório pedir papas quiméricas, uma massa de batata recheada de requeijão e gratinada com parmesão (R$ 15 a grande, R$ 8 a pequena). É o tipo de coisa para comer devagar, só pra ver se demora mais pra acabar.

E por falar em acabar, não é uma atitude sensata ir embora sem provar a panqueca de doce de leite (R$ 9 e R$ 16, pequena ou grande).

A casa oferece ainda boa variedade de vinhos argentinos, inclusive em taça, além de algumas cervejas uruguaias já manjadas. Nas noites de sexta rola show de tango, só que aí já é demais, né? Prefiro ver o Tevez dançando a cumbia, mas não com a camisa do West Ham, é claro!

Sugestão do chef: Se for pedir meia-porção da carne, convença uma das descoladas atendentes a trazer quatro pedaços (normalmente vem três). Na primeira visita fizemos isso, na segunda esquecemos e nos demos mal.

Bárbaro Restaurante: R. Doutor Sodré, 241 – Vila Olimpia – São Paulo – SP – tel.: (11) 3845-7743 – http://www.barbarorestaurante.com.br

13 de mai de 2007

Salgado muy rico

Felizmente a rivalidade entre brasileiros e argentinos se limita aos esportes – principalmente o futebol – e, nem de longe, prejudica a expansão da gastronomia daquele país em território tupiniquim.
Carnes extremamente macias, doce de leite de qualidade superior, vinhos bem elaborados e alfajores imbatíveis são algumas das muitas delícias provenientes da culinária argentina. E nos últimos anos é cada vez mais fácil ter acesso a tudo isso. Sorte de nós paulistanos e, é claro, do blog, que terá muitos posts saborosos!
E para começar, vamos falar sobre o Patagonia, um café que tem como carro-chefe as tradicionais empanadas argentinas.

A fachada do lugar é muito charmosa. Já seu interior possui decoração simples e as mesas são bem pequenas, sobrando pouco espaço para acomodar as coisas.

Mas esses detalhes passam despercebidos quando o pedido chega, já que tudo preparado no local é muito gostoso e caprichado.
As empanadas são assadas na hora e por esse motivo demoram um pouco, mas a espera vale a pena pois são deliciosas! O cardápio conta com 16 recheios, porém as que levam carne como ingrediente principal merecem destaque, como a cortada na ponta da faca (R$ 3), picante (R$ 2,80) e com uva passa (R$ 2,90).

Outra boa opção da casa é a variedade de tortas salgadas que vêm acompanhadas de salada (R$ 8,70). Escolhemos a de abobrinha com parmesão e nos encantamos com a cremosidade da massa e o sabor exótico do recheio.

Para finalizar, só há uma coisa que podemos dizer para a família Menutti, proprietária do estabelecimento: muchas gracias!

Sugestão do chef: não saia sem experimentar o sanduíche de miga. Assim como acontece na Argetina, o de presunto com abacaxi (R$ 1,65) é o mais pedido.

Patagonia: Avenida Rouxinol, 953 – Moema – Tel.: 5055–2341/7466.

9 de mai de 2007

Galpão da pizza

A recente expansão imobiliária no bairro da Vila Leopoldina – que para muitos é considerado Alto da Lapa – foi a principal responsável pelo surgimento de novos estabelecimentos comerciais na redondeza. Padarias, restaurantes, bares e danceterias são cada vez mais comuns e ocupam os espaços das antigas fábricas que, até então, prevaleciam na região. Um desses lugares é a Brascatta Pizza Bar.
Instalada em um antigo galpão bem iluminado e com decoração rústica, a pizzaria oferece 25 sabores de redondas.


O cardápio inclui desde pizzas tradicionais, como a Caprese (R$ 28 a individual, R$ 36 a média e R$ 38 a grande) até especiais, com destaque para a Brascatta, que leva molho de tomate, queijo brie, rúcula, peito de peru e fatias de maçã verde (R$ 29, 36, 39).

Quem não dispensa uma entrada para abrir o apetite, pode escolher entre o pão de calabresa (R$ 6,90 a fatia) e o corniccione de alecrim (R$ 10). Tudo bom, porém nada espetacular.
Um destaque positivo vai para a variada carta de bebidas. Chopp, cervejas nacionais e importadas, cachaças, vinhos e diversos drinks tornam a escolha bem difícil. No quesito não-alcoólico, os sucos exóticos são as opções mais recomendadas. Só não se anime com o de limão siciliano, que é extremamente ácido!
Para finalizar a comilança, tentamos fugir das pizzas doces e optamos pelo rolinho primavera com recheio de Nutella (R$ 10).

Infelizmente não foi a melhor escolha, já que a massa veio seca e a quantidade de recheio foi insuficiente para destacar o doce da marca italiana.

Sugestão do chef: Se a fome estiver muito grande, visite a pizzaria às quartas-feiras, pois nesse dia a casa funciona em sistema de rodízio.

Brascatta pizza bar: Rua Passo da Pátria, 1685- Alto da Lapa - Zona Oeste - 3835-5159
Site:
http://www.brascatta.com.br

7 de mai de 2007

Santa Gula

A esta altura você não deve agüentar mais assistir, ler e ouvir reportagens sobre os preparativos da visita do Papa Bento XVI. Provavelmente até decorou parte do cardápio que será servido ao Sumo Pontífice durante sua estada no Mosteiro de São Bento. O que falta ser dito é que o local mantém durante todo ano uma lojinha na qual vende geléias, bolos e pães feitos pelos próprios monges. Acondicionados em belas embalagens, são opções criativas para presentear.

Um dos melhores é o bolo dos monges (R$ 35), cuja receita – criada por monges brasileiros no fim do século XIX – inclui ameixa, vinho canônico, açúcar mascavo e damasco. Tipicamente suíço, o bolo Santa Escolástica mistura nozes, maçã e canela, e pode ser adquirido nos tamanhos grande ou mini (R$ 38 e R$ 5).

Por R$ 5 a unidade, o pão de mel recheado de geléia de morango faz sucesso entre os freqüentadores do Centro da cidade. Como opção salgada, a sugestão é o Pão São Bento (R$ 12), feito à base de mandioquinha.
Dá até pra levar um de cada, afinal de contas a gula é pecado, mas pelo menos o confessionário fica bem pertinho.

Sugestão do chef: Como recordação da visita do Papa, os monges desenvolveram um bolo comemorativo que leva mel, especiarias, castanhas e chocolate

Mosteiro de São Bento: Largo de São Bento, s/no. – Centro – São Paulo – SP – tel.: (11) 3328-8799 – www.mosteiro.org.br/gastronomia

4 de mai de 2007

Informalidade capixaba

O Meaípe é um restaurante que deve seu sucesso a um só prato. E isso é um elogio.
A especialidade por lá é a moqueca capixaba, prato exclusivo na unidade mais legal, a da rua Cristiano Viana. O preço é cobrado por pessoa: moqueca de peixe por R$ 14 de segunda a sexta e R$ 17 nos fins de semana e feriados; e moqueca de peixe com camarão por R$ 24 ou R$ 27, também de acordo com o dia da semana. O preço é bom e a comida, deliciosa.

Por esses dois motivos é preciso relevar o excesso de informalidade nas instalações e no atendimento. A “equipe” se resume a uma pessoa na cozinha e a simpática Regina – dona do restaurante – no atendimento, sem dispensar um bom papo com a clientela. Nos dias de movimento tranqüilo, dá pra ouvir algumas histórias engraçadíssimas.
Há alguns quarteirões dali fica a unidade da rua Fradique Coutinho, cujo cardápio inclui alguns outros pratos. Quem comanda é o capixaba Paulo, marido da Regina e fundador do Meaípe. Por lá o espaço é bem maior, o que talvez explique (mas não justifique) um atendimento bem mais bagunçado.

Sugestão do chef: Não espere alguém perguntar se já escolheu a bebida. O procedimento normal no restaurante é o cliente ir até a geladeira, abrir a garrafa e levar até a mesa.

Meaípe: Rua Cristiano Viana, 506 – Jardim América – São Paulo – SP – Tel:(11) 3081-5945, e mais três endereços – www.moquecapixaba.com.br

2 de mai de 2007

Carioca puro malte

Já conhecida dos bebedores do Rio, a cerveja Mistura Clássica começa aparecer discretamente aqui em São Paulo, com seus cinco tipos elaborados de acordo com a Lei de Pureza na cidade fluminense de Volta Redonda.

A Amber é uma ale com 6% de teor alcoólico. Apresenta cor escura, puxando para o vermelho, e bastante espuma. Não é das mais encorpadas e possui só um leve amargor.
Já a pilsen Extra é bem levinha mesmo. Tem 4,5% de álcool, pouca espuma, gosto de água mineral no começo e um sabor levemente adocicado no final.
Das três degustadas, a Mistura Clássica Premium é, sem dúvida, a melhor. Apresenta cor dourada, espuma densa – porém pouco duradoura – e um amargor mais resistente. Com sabor marcante, é bem mais encorpada que as suas “irmãs”.
A cervejaria conta ainda com as versões Stout e Pilsen tradicional.

Mistura Clássica: http://www.misturaclassica.com.br/

Onde encontrar: http://www.sabordosulvinhos.com.br/

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